O leite animal não é adequado para adultos.
Talvez já saibam, mas o leite animal destina-se, originalmente, aos recém-nascidos. É o alimento natural que contém todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento dos mais pequenos (proteínas, gorduras, hidratos de carbono, minerais, vitaminas e água). Isso poderia, portanto, levar-nos a acreditar que se trata de um alimento de que não podemos prescindir à medida que crescemos. Mas, pelo contrário, o nosso corpo adulto tem muito menos capacidade para a digerir e assimilar. Aliás, somos a única espécie que bebe leite na idade adulta!
Ao longo das últimas gerações, o nosso consumo de leite animal disparou, mas sempre o consumimos. É por isso que, com o passar dos anos, o corpo humano se adaptou, em maior ou menor grau, a este hábito, de forma a assimilá-lo melhor. Mas então, por que razão alguns de nós sentem desconforto ao consumir leite e outros não?
Como o leite contém lactose (um açúcar natural), é a ela que se deve a dificuldade na digestão do leite. Este hidrato de carbono é assimilado graças à lactase, uma enzima digestiva produzida em grande quantidade durante a infância, mas em quantidade muito menor à medida que se cresce. A sua produção na idade adulta varia de pessoa para pessoa, pelo que as intolerâncias à lactose também variam!
O leite não faz mal apenas ao nosso estômago.
Se produz muita lactase e, por isso, não tem qualquer problema em digerir o leite, isso não significa que seja bom para si. Para além da dificuldade em assimilá-lo, a sobreprodução de leite é um problema de ordem ética e ambiental. O consumo massivo de leite permitiu a industrialização da sua produção, que é tão poluente quanto a da carne. Além disso, como o leite já não é produzido de forma artesanal, a sua composição nutricional alterou-se significativamente. Nas garrafas, é possível encontrar pesticidas (muito mais do que nas bebidas vegetais), metais pesados, ácidos gordos transformados, bem como hormonas de crescimento (utilizados para aumentar o rendimento das produções industriais). Todos estes são ingredientes desnecessários que favorecem o desenvolvimento de doenças no nosso corpo. Até mesmo o cálcio presente no leite, que poderíamos considerar como nosso amigo para toda a vida, é dificilmente assimilado pelo nosso organismo.
Felizmente, existe uma alternativa muito mais saudável.
Mas então, acabou-se o café com leite, os iogurtes e as crepes de domingo? Claro que não, pois encontrámos uma alternativa ideal: as bebidas vegetais. Sem lactose nem colesterol, naturalmente ricas em vitaminas (A, B, C e E), minerais (cálcio, potássio, magnésio, fósforo…) e repletas de ácidos gordos benéficos (lipídios insaturados). Se as comprar num hipermercado, é preciso escolhê-las com cuidado. 80% das bebidas vegetais vendidas contêm menos de 5% dos ingredientes principais, acompanhados de aditivos, espessantes, corantes e óleo. Em suma, é como comprar água e ingredientes nocivos para a nossa saúde. O importante é comprar bebidas vegetais feitas apenas com dois ingredientes (sem contar com os conservantes naturais): água e a base vegetal. Por outro lado, se encontrar quantidades razoáveis de sal, xarope de ácer ou tâmaras e goma xantana, que atua como espessante e gelificante, não há problema.
Mas o melhor continua a ser preparar a própria bebida vegetal em casa!Têm sorte, porque a Kipli encontrou uma receita simples, rápida, económica, que contém apenas um ingrediente e é muito mais rica em vegetais (e, portanto, em valor nutricional) do que as bebidas vendidas no mercado.
Uma receita tão suave como tu
Para preparar a sua bebida vegetal, vai precisar de:
- 250 g de amêndoas ou 2 colheres de sopa de manteiga de amêndoa (de arroz, de sementes oleaginosas, de aveia…)
- 1 litro de água
- 1 saco reutilizável para leite vegetal, para filtrar, ou um pano de cozinha limpo
Os passos da receita:
- Deixe as amêndoas de molho em água durante toda a noite (8 a 12 horas)
- Escorra-os, depois lave-os e coloque-os no copo de um liquidificador
- Junte 1 litro de água e bata em velocidade elevada durante 2 minutos
- Coe o líquido através de um saco para leite vegetal ou de um pano de cozinha limpo
- Pressione bem com as mãos para extrair o máximo de leite de amêndoa possível
- Guarde-o no frigorífico; conserva-se durante 4 a 5 dias. Agite bem antes de cada consumo. Também pode congelá-lo em garrafinhas, que se conservam durante 1 mês
Pequenas dicas «zero resíduos» da Kipli:
Mas, depois de prepararmos o nosso leite de amêndoa caseiro, o que fazer com os resíduos, como a água da imersão ou a polpa, para obter uma bebida verdadeiramente sem resíduos?
- Prepare a quantidade desejada para beber ao longo de 4 a 5 dias
- Guardar a água da imersão para regar as plantas
- Guardar a polpa que fica no filtro ou no pano limpo para fazer:
- Farinha caseira, obtida através da desidratação da mesma
- Cubos de polpa congelados, colocando-a em compartimentos para cubos de gelo. Ideal para fazer batidos ou papinhas para bebés
- Todo o tipo de bolos ou bolachas. Misture a polpa com mel e pepitas de chocolate e leve tudo ao forno durante 15 minutos a 180°, por exemplo!
- Tratamentos para a pele com propriedades antioxidantes, hidratantes e antienvelhecimento. Misture a polpa com óleo de coco e um óleo essencial à sua escolha
